Sintra

Sintra
Sintra - Portugal vale a pena!

domingo, 24 de outubro de 2010

GRU, O MALDISPOSTO


Longe vai o tempo em que os criadores de animação tinham como primeira intenção expor uma visão maniqueísta do mundo (cf. "Branca de Neve e os Sete Anões"). De um lado os bons, do outro os maus, sem que houvesse espaço para que os maus tivessem momentos bons e vice-versa. James Finn Gardner, através dos seus "Contos Tradicionais Politicamente Correctos" trouxe a visão do cinzento (por exemplo na subversão do conto popular, que deu origem a uma animação, "Os Três Porquinhos e o Lobo Mau" ).
Em "Gru, o Maldisposto",a concepção maniqueísta também existe mas acaba por ter uma particularidade distinta. De facto, nesta animação produzida por Chris Melendrandi, acabam por ser três miúdas que fazem gerar, no malvado Gru, sentimentos de ternura e bondade, já que, entre os adultos, só existem Vectores ou Grus.
Este Gru, calvo e de nariz aquilino, é muito semelhante, em certa medida, ao Príncipe-Sapo de um famoso conto tradicional, ou ao Monstro que contracena com a Bela, num outro conto popular. Feio por fora, bonito por dentro... mas, em relação à beleza interior, só durante uma parte da sua existência fílmica! Para além da animação em 3D, este filme acaba por ser uma bela revelação da criança que existe em cada adulto.

SOBRE A LITERATURA...BALÍSTICA

De um amigo, professor de ....

"Uma das vantagens da criação literária é a de podermos arquitectar histórias, que até podem ser um espelho da realidade. Os visados apenas podem ter um pressentimento [e não o podem afirmar claramente] de que aquela história...é a sua história!"

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A TEORIA DO PRÉ-CINEMA É FUNDAMENTAL PARA QUE SE ENTENDAM AS CRÓNICAS DE FERNÃO LOPES

1- A teoria do pré-cinema
Recorrendo à teoria do pré-cinema, consegue-se entender um dos objectivos primordiais - o da propaganda ad eternum da Dinastia de Avis - que presidiu à elaboração da cronistica redigida por Fernão Lopes no longínquo século XV. Para que se perceba esta ideia há que começar por dizer o seguinte: estes textos são paraliterários, escritos num português medieval (onde proliferam, por exemplo, os hiatos), e são um retrato inequívoco da mundividência medieval, absolutamente dicotómica, que medeia entre o sagrado e o profano. Os escritos de Fernão Lopes estão repletos de acção (batalhas, cavalgadas, revoltas populares, assassínios atrozes, planos maquiavélicos), descrições físicas e psicológicas exímias das personagens, umas assumindo o papel de heróis outras o de vilões, bem como cenários interiores e exteriores. Os protagonistas são o primeiro rei da Dinastia de Avis, mas também os seus antecessores D. Pedro I e D. Fernando, secundados por personagens femininas como D. Inês, no primeiro caso e D. Leonor Teles no segundo.
D. Filipa de Lencastre acaba por ter um papel menor na Crónica de D. João I, sobretudo face à relevância de Leonor Teles na Crónica de D. Fernando e na de D. João I. Leonor é uma personagem que fica para sempre, verdadeiro paradigma da maldade.
Portanto estes textos têm à partida imensas potencialidades cinematográficas, até ao momento muito pouco exploradas, não só por terem intrigas e personagens interessantes, cinemáticas, mas também por serem um fresco da sociedade medieval portuguesa e um caso em que a realidade ultrapassa definitivamente a ficção.
A encomenda de D. Duarte a Fernão Lopes, a de cronicar o carismático reinado de seu pai e dos respectivos antecessores, tinha como grande objectivo deixar para a posteridade a descrição dos tempos difíceis relativos à Crise Dinástica de 1383-85, o modo como foram superados pela dupla imbatível D. João, Mestre de Avis e Nuno Álvares Pereira (o primeiro assumindo o papel do político versátil e o segundo o do militar imbatível), bem como a acalmia posterior. Enfim, a felicidade que permitiu refundar um reino que tinha sido, segundo concepção de Fernão Lopes, superiormente dirigido até ao reinado de D. Fernando. Assim, as três crónicas permitem ao leitor estabelecer um paralelo verdadeiramente estimulante entre os três reinados a que se reportam, e não é difícil concluir, com facilidade, que o de D. Fernando acaba por ser o mau exemplo para os reis posteriores e para o povo (pela sua fragilidade militar, pela forma como delapidou o tesouro real que tanto trabalho deu a juntar aos seus antecessores) que os mesmos iriam governar. O reinado de D. João I será, então, um grande exemplum…didáctico para a realeza que secundou D. Duarte e para a que com ele conviveu!
Mas de que forma poderá a referida teoria, ( que por vezes revela alguns excessos na sua concepção), contribuir decisivamente para que se entenda as crónicas do trabalhador incansável, que recebeu de D. Duarte uma tença para retratar, em pequenos capítulos (que iam sendo lidos na corte), o promissor começo da Dinastia de Avis?
Jorge Urrutia , catedrático espanhol, contribuiu para a definição desta teoria, a do cinema avant la lettre, porque descreveu o percurso da sua génese, o que permite um entendimento claro da mesma. Tese, essa, que teve como progenitores alguns autores francófonos e hispânicos. O nascimento tardio só foi confirmado no ano de 1936, mas depois esta teoria evoluiu como uma bola de neve. Uma ideia extraordinária (pela simplicidade que encerra) que reluziu em Reflexions sur la Literature da autoria de Albert Thibaudet, no já referido ano de 1936, onde se sublinha a preocupação humana, secular, de fixar (e esta é uma palavra-chave), pela palavra, a realidade circundante, já que as cameras de filmar são recentes.
Joaquin de Entrambasaguas, considerou, em 1954, que muitas obras literárias anteriores ao cinematógrafo, apresentam aspectos absolutamente filmáveis, porque o espírito que animou a sua redacção encerrava, inconscientemente, a expressão cinemática e, entre outros exemplos, refere os da Divina Comédia, Odisseia, Ilíada e Eneida. Esta ideia do autor espanhol é, sem dúvida, muito mais aplicável às crónicas, caleidoscópicas, do nosso Fernão Lopes. A propósito de expressão cinemática, nos textos do nosso cronista coexistem dois tipos de linguagem: a denotativa,através da qual as palavras apenas têm o seu valor real, reflectindo uma aproximação à realidade e uma outra,em muito menor grau, a conotativa, onde são evidentes os tropos. Por fim, existem as imperfeições medievais como os pleonasmos.
1955 e o tempo não pára! Este foi um ano mirabolante (para a evolução da nossa teoria) em que Pierre Francastel se questionou quanto ao facto de poder ter existido um cinema anterior ao mesmo, ou seja antes da invenção do próprio cinema. Afirmação fundamentalista é certo, mas que acaba por ser determinante para o entendimento e consolidação da teoria do pré-cinema.Entendia Francastel que, no passado, já tinha existido uma atitude pré-filmica operacionalizada através do modo de olhar a realidade circundante e de a fixar em texto.
Passados nove anos, Étienne Fuzellier teorizou o seguinte: desde Homero um grande número de escritores foram "visuais", reforçando as ideias de Joaquin Entrambasaguas;
Mais ainda, Fuzellier considerou que desde sempre existiram guionistas, segmentadores, montadores, que antecipam, através da palavra, a imagem. Esta é uma literatura, segundo o autor, que pretende “fazer ver”, uma literatura que é constituída por um repertório de obras que podem ser traduzidas por imagens. E são realmente muitas as obras que se enquadram neste pressuposto. A esses autores só faltou mesmo uma camera e, voltamos a dizer que Fernão Lopes é um deles.
A teoria continua a evoluir, a consolidar-se, e, pela primeira vez, através de Fuzellier, sugeriu-se que o Cinema e a Literatura coincidem na conformação dos géneros. Mas, eis que surge o exagero: alguns teóricos do pré-cinema, Fuzellier, Paul Leglise e outros, pretendiam, a determinada altura, que o ensino da literatura, as obras clássicas deveriam ser analisadas através de planos cinematográficos! Na realidade acaba por ser um trabalho interessante percebermos o “olhar de Virgílio” e delimitarmos os primeiros planos em que se enquadram Juno ou Eneias no primeiro livro da obra virgiliana, tal como o fez Paul Leglise, em 1958, no entanto este acaba por seu um percurso redutor.

2 - Adequação desta teoria aos Estudos literários Medievais
2.1 O Guionista
Existem semelhanças significativas entre a crónica lopesiana e o guião cinematográfico, ou televisivo da actualidade e semelhanças evidentes entre o trabalho do cronista e do guionista. Estes dois tipos de texto poderão conter, em simultâneo, personagens integradas em enredos, a narração de histórias dinâmicas e interessantes, conflitos declarados que conferem interesse à intriga, o uso do discurso directo, uma estrutura dramática conseguida, técnicas de gestão do tempo e uma linguagem simples e acessível ao leitor ao espectador. É possível, então, dizer-se que este Fernão Lopes poderá ser, afinal, um argumentista avant la lettre? O que é facto é que os seus textos, em função da sua intenção de deixar “filmes” dos reinados dos três reis em causa para a posteridade, acabam por estar muito próximos (sobretudo em relação à Crónica de D. João I) do que é o guião cinematográfico. Por isso, Fernão Lopes será, em nosso modesto entender, um pseudo-guionista com séculos de antecedência, facto que deriva da sua atitude pré-fílmica.
2.2 - O trabalho de montagem
Fernão Lopes procurou reproduzir a realidade histórica e a sua pena poderia corresponder a uma máquina de filmar. Poderia ser (imaginariamente) o cineasta ao serviço de D. Duarte. O que está aqui em causa é a importância do (seu) olhar, do modo como focaliza os acontecimentos. Contudo o que ele fez verdadeiramente bem – perdoe-se o anacronismo - foi um “trabalho de montagem”( dos testemunhos recolhidos, dos que viram os acontecimentos, por exemplo quando da batalha de Aljubarrota), mas de uma “montagem invisível” que procura encapotar a visão subjectiva da “camera de filmar”, ou da própria “montagem”. Este trabalho de Fernão Lopes foi o da recomposição do que escutou e leu. Convenhamos que acaba por ser um trabalho de filmagem, mas em segunda-mão. E o que filmou e remontou o cronista? Muita coisa! Para além dos reis de quem fala nas suas crónicas (e a sua "camera” acompanhou-os permanentemente), os ambientes cortesãos, as cidades do seu reino, o povo, os burgueses, a guerra com os castelhanos, as festas, as procissões, e muitos outros acontecimentos, ou seja “filma” (ou volta a “filmar”) os séculos XIV e XV em Portugal, desde o reinado de D. Pedro I.

domingo, 17 de outubro de 2010

TEACHING IS A WORK OF HEART

Hoje partilho convosco um sentimento que assola o meu espírito desde há alguns dias...

Eis a história:

Há alguns anos fui convidada pela responsável de um colégio, onde actualmente trabalho, para leccionar Inglês. O horário na outra escola onde trabalhava era compatível com o segundo e logo aceitei o desafio. Contudo, e de imediato, apoderou-se de mim algum receio: a tarefa era a de ensinar crianças do 1º ciclo e eu nunca o tinha feito. Confesso que já trabalhara com todas as faixas etárias, excepto com esta. E tive dúvidas se estaria preparada para o fazer.

Hoje reconheço, que estas crianças me conquistaram de imediato. Por isso não me canso de considerar que as crianças nos devolvem, duas vezes, aquilo que lhes damos, quer seja o bom quer o mau. Mas mesmo naqueles dias em que já venho cansada das anteriores tarefas e chego ao pé deles, aqueles sorrisos e abraços devolvem-me toda a energia necessária. Mesmo que no fim o dia a cabeça esteja cansada, o coração está cheio!

Partilho, então convosco a história de um dos meus alunos, a quem vou chamar António.

O António foi sempre o melhor estudante da turma em todos os níveis: brilhante desempenho, comportamento irrepreensível, atitude colaborante, era sempre o primeiro a levantar o dedo para participar todas as actividades realizadas. Respeitador das regras de sala de aula, nunca se levantava ou participava sem levantar o dedo para eu dar qualquer autorização. Esmerado, fazia todos os trabalhos de casa e participava diariamente nas aulas, de forma efusiva.

A certa altura o António mudou radicalmente o seu comportamento, não cumpria as regras estabelecidas, implicava com os colegas, estava distante e já não participava como antes. Logo verifiquei que algo se passava e perguntei à educadora que os acompanha na escola o que se passava. Ela disse-me que tinha havido um drama pessoal com um familiar muito próximo, um problema de saúde grave. E desde então o António nunca mais foi o mesmo. Tentei todas as estratégias, trabalhei individualmente com ele, tentei incutir-lhe o espírito do trabalho em grupo, falei com os pais e com ele, sempre dizendo à educadora (que também estava empenhada em ajudá-lo), que eu não ia desistir desta criança e tudo ia fazer para ter o [velho] António de volta. Por isso, ia ajudá-lo no que pudesse.

O António tornou-se muito calado e nunca falava desse familiar doente. Um dia, no final do ano lectivo anterior, fiquei a falar com ele no fim da aula. Ele, então, desabafou os receios que tinha no seu coração de criança: também se achava responsável pela situação. Falei permanentemente com ele, ajudei-o como pude, explicando-lhe a situação e ali não fui professora, mas senti-me um pouco a mãe daquele menino.

Passado algum tempo, no final da aula, falei desse familiar com ele, de repente ele começou a falar dele sem parar, e eu nunca o interrompi. Olhei para a educadora que os tinha vindo buscar às aulas e ambas percebemos o que tinha acontecido.

Abrira-se a caixa de Pandora! Ele falava, como nunca tinha falado, desse familiar.

Contudo, o António manteve o comportamento transgressivo no início deste ano lectivo. Uma vez mais, falei com a educadora, reforcei que ia continuar a lutar por ele, agora que já estava no 4ºano, queria tê-lo de volta, com o seu comportamento e atitude irrepreensíveis. Há duas aulas atrás, o António portou-se muito bem e, no fim, frente aos outros alunos, elogiei-o, disse-lhe que ele se tinha portado muito bem, que estava a ser o “velho” António e que eu estava muito orgulhosa dele. Respondeu-me com um sorriso!

Na última aula voltou a portar-se muito bem, participando muito mais activamente e senti que estava a ter o António de volta. No fim da aula falei com a educadora para lhe dizer que eu estava radiante, pois o António nas duas últimas aulas tinha estado muito melhor… até o elogiei! Ela respondeu-me: - Eu sei, professora. O António veio ter comigo, pegou na minha mão e disse-me com um sorriso que a Teacher o tinha elogiado muito. Não falámos, apenas olhamos uma para a outra e sorrimos, os nossos olhos iluminaram-se.

Espero amanhã ter o meu António de volta, a participar empenhado e atento! Não desisto nunca, basta um sorriso dele e de todos os Antónios para perceber que valeu a pena!

Cumpri a minha missão. É por isto que ensinar vale a pena hoje e sempre!

Teaching is a work of heart!

여러분의 방문에 감사드립니다

Sendo este um blogue aberto(por enquanto), temos tido algumas visitas curiosas. Durante a última semana de Setembro, um grupo de amigos sul-coreanos visualizou este blogue. É para eles que deixamos a mensagem inicial, esperando que o tradutor do google seja eficaz.
MUITO OBRIGADO PELA VOSSA VISITA!

AS CIDADES INVISÍVEIS, DE ITALO CALVINO

Nesta invulgar narrativa, pela existência de uma narrativa apresentada em fragmentos significativos, Marco Pólo maravilha o kublai kan com descrições de cidades do Ocidente…que apenas existem na sua imaginação.
Portanto, neste livro há que sublinhar dois aspectos fundamentais: o poder da narração, impulsionado pela imaginação do narrador e o exercício (soberbo) de concretizar múltiplas descrições literárias.
Falaremos, aqui, da descrição da cidade de Bauci (Calvino, 2009:83). Após uma caminhada de sete dias, chega-se à cidade que não se consegue ver. A cidade está suspensa numas andas e eleva-se acima das nuvens. Os habitantes podem descer delas por escadotes, mas preferem ficar lá em cima onde têm tudo. A verdade é que os habitantes de Bauci odeiam a Terra e contemplam-na através de binóculos, sentindo um fascínio pela sua ausência.

PERGUNTA: QUAL SERÁ A (FICCIONADA) MENSAGEM DE MARCO POLO A KUBLAI KAN (tenha-se em atenção que se pressente aqui a voz do autor)?

EXERCÍCIO: IMAGINAR UMA CIDADE, RECORRENDO A UM DELÍRIO IMAGINATIVO.

UM CONSELHO DE VISITA: MUSEU DE SÃO MIGUEL DE ODRINHAS

O Museu de São Miguel de Odrinhas, para além das bucólicas paisagens que o rodeiam, é exemplar em relação ao que deve ser o trabalho museológico, sendo um bom testemunho do mundo da Romanidade no território da antiga Lusitânia.
No seu espólio há que salientar a existência de sarcófagos etruscos e respectivas inscrições (lembram-se de Monserrate, dos sarcófagos que lá faltam?), bem como a existência de um número considerável de inscrições tumulares dos habitantes lusitano-romanos pertencentes à zona circundante a Olisipo (área rural). Estas lápides permitem constatar a preferência dos habitantes locais pela cremação, rejeitando a influência etrusca e cristã, que advogava a inumação.
Além disso, as inscrições lapidares permitem não só perpetuar a memória de alguém, mas revelam, também, importantes aspectos do quotidiano destes habitantes, como sejam os respectivos tria nomina, o ano em que faleceu um determinado habitante, a invocação aos deuses manes (antepassados), a tribo a que pertencia, quem mandou fazer a respectiva lápide e o seu poder económico (verificável pelo tamanho e riqueza da lápide).
O museu dinamiza interessantes actividades didácticas como sejam:
- “LITTERARUM DUCTUS, nesta actividade os alunos são convidados a escrever à maneira dos romanos, com tabuinhas enceradas e estiletes, inscrevendo o seu praenomen, nomen e cognomen nas tabuinhas previamente distribuídas;
- “OPERA MUSIVA”; depois da visita à villa (casa de campo) romana, cujo pavimento é revestido de mosaico, os alunos são ensinados na arte da construção do mosaico romano;

A vila romana exterior ao museu, a igreja (tradicional na zona e tão semelhante à da Terrugem), um pequeno jardim, a entrada do museu onde se destacam colunas clássicas,a escola de restauro mesmo em frente ao museu, a excelente biblioteca...enfim, tudo isto contribui para uma agradável visita, onde pontificam...O VERDE E O SILÊNCIO.