Sintra

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Sintra - Portugal vale a pena!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A estudar para o teste de Fevereiro – 7º ano – Língua Portuguesa


Grau de dificuldade: médio; cotação – 100 pontos;

1 - TEXTO LITERÁRIO (40 pontos)

Textos autobiográficos: diário; memórias; características do conto tradicional; (a lecionar) romance tradicional; fábula (características); mito (características); lenda (características)

2 – GRAMÁTICA (20 pontos)

Nomes comuns, próprios e coletivos; estudo do adjetivo; tempos verbais do Indicativo e Conjuntivo – verbos regulares; verbos “ter” e “ser”; tempos compostos estudados; aplicação do novo acordo ortográfico;


3- LEITURA EXTENSIVA (10 pontos)

Questionário de verdadeiro ou falso sobre “História da Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”.

4- EXPRESSÃO ESCRITA (30 pontos – 5x6)

Tema: presente no I capítulo de “Romance de Amadis”

Redacção de um texto, com apresentação inclusa de esquema. Parâmetros de avaliação: 1 - tema e tipologia; 2- coerência e pertinência da informação; 3- estrutura e coesão; 4- morfologia e sintaxe; 5- repertório vocabular; 6 - ortografia;

Nota: poderá ainda ser incluída alguma matéria, para além da exposta. Caso isso se verifique os alunos serão avisados do mesmo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O CONTO – FRASES PARA REFLEXÃO EM AULA (in Aula Viva, 1997, pp. 12-15) – a imprimir posteriormente



1. As narrativas do mundo são incontáveis;
2. A narrativa é suportada pela linguagem oral e escrita, pela imagem, pelo gesto;
3. As narrativas estão presentes no mito, na fábula, no conto, na novela, na epopeia, na história, no cinema, na conversação.
4. Todos os dias, nós próprios, contamos e ouvimos histórias;
5. Narrativas muito antigas: cosmogonias – tentativas de explicação do universo;
6. Mitos gregos e romanos;
7. Idade Média – narrativas maravilhosas (ex. Amadis de Gaula);
8. Século XVII – contos de fadas;
9. Século XIX – lendas populares e tradições medievais;
10. Conto popular – povo; literatura de transmissão oral; memorização de histórias criadas pelo autor coletivo;
11. Classificação dos contos populares: contos maravilhosos; contos de exemplo; contos religiosos ou morais; contos de animais; contos etiológicos; contos históricos;
12. temas (alguns exemplos): a mulher preguiçosa, avarenta, desmazelada; o homem ambicioso, dominado pela esposa; a esperteza de alguns; a superstição, a magia; a crença no destino; a fundação de uma nacionalidade; os animais, etc.
13. A ação tem uma intenção moralizante, terminando com o triunfo do Bem;
14. Conto – situação inicial de equilíbrio; acontecimento perturbador; peripécias; fim da perturbação – força retificadora; situação final;
15. Personagens; localização espácio-temporal; encantamento; Bem vs. Mal; simbologia numérica; finalidade lúdica e moral

D.D.D (Diário de Docência)

1 - Como é difícil a aplicação efetiva do novo acordo ortográfico. São hábitos de muitos anos que se colocam de lado, é o afastamento progressivo em relação à Língua Latina, nossa língua-mãe, mas é impossível não aplicar este novo acordo, na escola, nas universidades. Contudo, há resistentes, fato que se saúda. Esses são sobretudo jornalistas e escritores que publicam na imprensa diária ou semanal. Mesmo assim acabam por enunciar publicamente, geralmente no final da coluna que assinam, a respetiva intenção de seguir o velho acordo.

2- Uma outra imposição terrível é a que diz respeito ao ensino da TLEBS. Pelo que foi ensinado aos alunos, é impossível não falar, ou estabelecer comparações com a gramática tradicional.

3 – Nomes de radical distinto, mas de morfemas finais semelhantes à palavra “professor”: doutor, monitor, percursor, inovador, apaziguador, confessor, tutor, precetor, orientador, gestor, pesquisador, investigador, selecionador, construtor, aglutinador, interlocutor, criador, gerador, tenor, ator, mentor, dador, dor ou amor?

4 - Frases da semana: "O importante não é fazermos o que gostamos, mas sim gostarmos daquilo que fazemos" Goethe
"Todas as pessoas que não fazem barulho são perigosas" La Fontaine
"Compos sui" - o sábio mantém-se sempre senhor de si mesmo;
"Deus ex machina" - (figuradamente) - um desenlace feliz para uma sitaução trágica;
"Doctus cum libro" - Os que se apoiam exclusivamente nos livros, não pensam por si próprios;
"Enfant terrible" - o filho que põe os pais em apuros com o seu comportamento;
"Mehr Licht" - derradeiras palavras de Goethe.
"Mens agit molem" - um verso da ENEIDA!
"Non, nisi parendo, vincitur!" - axioma aplicado por Bacon (filósofo) - Só se vence, obedecendo.
"Nulla dies sine linea" - não passar nenhum dia sem escrever uma linha.
"Qui bene amat bene castigat"
"Quis scribit bis legit"
"Sol lucet omnibus"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Natal



Mais um Natal está a chegar e a mesma magia transborda.
Curioso, já pensaram como nos modificamos nesta época?
Uns, que não são católicos, poderão dizer que o Natal não tem significado, e para eles é apenas mais um dia como outro qualquer.
Celebrar o nascimento do menino Jesus, não lhes diz absolutamente nada.
Eu respeito, sim, claro que respeito. Todos temos direito à nossa opinião,às nossas crenças ou à não existência delas.

Mas, não se sente um espírito diferente nesta época? Não estamos mais receptivos à dádiva, ao olhar para o nosso lado e realmente ver a pessoa que lá está? Não nos preocupamos mais em doar aquilo que temos, ainda que os tempos de crise não permitam dar muito, mas dar do pouco que temos para quem não tem nada?

Festejo esta época sempre com grande alegria.
Já partilhei convosco anteriormente, o quão importante é a elaboração do presépio. Volto à infância, por momentos volto a sentir o cheiro da lareira acesa, a família reunida na ceia de natal, a euforia das crianças que iriam receber os presentes (na minha infância, era o Menino Jesus que dava os presentes, não o Pai Natal), a ida à missa e beijar o menino Jesus. Todos esses momentos me marcaram.

Volto a relembrar tudo, ano após ano. Foi algo que ficou profundamente enraizado em mim, pela educação cristã que recebi e acima de tudo pelo apego à família. O quão importante é estarmos juntos de quem gostamos, ainda que nem sempre possam estar todos, mas aquela ceia é especial. Sente-se o amor a pairar sobre as iguarias prontas a degustar por todos, e preparadas com amor pelas mulheres da família, que foram passando as receitas às filhas que passarão às seguintes gerações. Contam-se estórias antigas, os mais velhos contam os disparates muitas vezes cometidos por aqueles que hoje já são pais e todos riem.

Três gerações em plena comunhão.

Essa ceia é mágica e Natal é isso, é estar com alguém ao nosso lado que nos ame.
Lembro-me sempre de estar na ceia de Natal e os meus pais mencionarem que gostariam que todas as famílias, pelo menos naquele dia, tivessem a mesa farta como a nossa. Sempre nos lembrámos dos que certamente, naquela noite nada têm para comer e pior, ninguém para compartilhar.

Gostaria que todas as crianças pudessem verdadeiramente sonhar com o Natal, sonhar com a possibilidade de estar com quem os ama, sonhar com um prato de comida, sonhar com o brinquedo que gostariam de ter, e que de repente acordassem e tudo fosse realidade.

Gostaria que todas as crianças se lembrassem do Natal como eu me lembro, a família reunida numa mesa farta e a contar estórias antigas num ambiente de paz, amor e união.

A todos os que lerem este texto desejo que o ambiente natalício entre no vosso coração e vos traga uma profunda sensação de paz e amor.

Feliz Natal a todos!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sete anos de pastor Jacob servia


Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - “Mais servira, senão fora
Para tão longo amor tão curta a vida!”

Tópicos de análise:

1. Um dos poucos poemas de Camões onde se trata um assunto de inspiração bíblica, embora Jacob se sacrifique devido ao amor por Raquel. Este amor acaba por se enquadrar no que se considera ser o alto amor, sendo que este subsiste platonicamente durante catorze anos.
2. Um outro poema de camões onde se trata um tema religioso:”Porque a Terra no Céu agasalhasse”;
3. Eís a história bíblica presente no texto: Labão enganou Jacob, fazendo-o trabalhar para ele durante catorze anos. Prometera-lhe o casamento com uma das filhas, mas deu a Jacob a mão da filha mais velha, Lia. Jacob persistiu e, para ter Raquel, acordou com o Tio que teria de trabalhar mais sete anos, sem qualquer remuneração.
4. Jacob trabalhou durante catorze anos, por amor. E esta é a mensagem bíblica fundamental, que serve esta parábola, tal como o valor da persistência. Por isso, estamos na presença de um poema e sob o ponto de vista formal não subsiste qualquer dúvida quanto a esse facto (soneto italiano; duas quadras e dois tercetos; chave-de-ouro; versos decassilábicos), mas existe um evidente prosaísmo no texto, narrando-se uma história com personagens e respectiva interacção, um tempo histórico específico e, inclusivamente, notamos a existência do discurso directo nos dois últimos versos como se de um texto narrativo se tratasse.
5. Ao contrário de outros poemas de Camões, este rege-se pela simplicidade retórica e linguística. Tal como A Bíblia apresenta uma linguagem igualmente simples, não se divisam no poema os habituais cultismos renascentistas, frequentes na Lírica Camoniana. A figura de retórica mais evidente no texto é o hipérbato (1º verso; 1ª estrofe; 1º e 2º versos da segunda estrofe; dois primeiros versos do primeiro terceto), por óbvias necessidades rimáticas. Um outro recurso, sintáctico ao caso, é o da existência do aposto (2º verso, 1ª estrofe) e o do anacoluto (1º e 2º versos da segunda estrofe).
6. O uso do Pretérito Imperfeito do Indicativo remete a história narrada para os longínquos tempos bíblicos (exemplos: “servia”; “Passava”). Na narração da história está também presente o uso do gerúndio, que implica um prolongamento da acção (“Vendo”).
7. A referência ao “pastor” e à “pastora” foi recorrente durante o Renascimento, por exemplo na corte inglesa (cf. o texto de Marlowe, "The Passionate Shepeherd to His Love");
8. Na chave-de-ouro, certifica-se a ideia de que a duração daquele amor não poderia abranger uma vida curta, como a humana e, sobretudo, o tempo perdido de Jacob que só pode obter a mão de Raquel após catorze anos de extenuantes trabalhos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A estudar para o teste de Dezembro – 7º ano – Língua Portuguesa


Grau de dificuldade: médio; cotação – 100 pontos;

1 - TEXTO NÃO LITERÁRIO (30 pontos)

Estudo da notícia, da reportagem, do artigo de opinião, de textos de B.D, do texto publicitário, de cartas formais (o exemplo específico dado em aula) e informais;
Interpretação de um texto relacionado com os acima mencionados e respostas a um questionário;

2 – GRAMÁTICA (20 pontos)

Variação da Língua Portuguesa; sílaba e acento de palavra; regras de translineação; sinais de pontuação; relações semânticas e fonéticas entre palavras; formação de palavras; nomes comuns, próprios e colectivos; tempos verbais do Indicativo e Conjuntivo;
Uma questão sobre cada uma das matérias indicadas;

3- LEITURA EXTENSIVA (20 pontos)

Questionário de “verdadeiro ou falso” sobre A Ilha do Tesouro, com incidência especial sobre o resumo entregue.

4- EXPRESSÃO ESCRITA (30 pontos – 5x6)

Redacção de um texto, com apresentação inclusa de esquema, que seja uma reacção a uma proposta relacionada com o Grupo I do teste. Parâmetros de avaliação: 1 - tema e tipologia; 2- coerência e pertinência da informação; 3- estrutura e coesão; 4- morfologia e sintaxe; 5- repertório vocabular; 6 - ortografia;

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

EMAIL SOBRE A GÉNESE DOS ANTÓNIOS


AOS PESSOANOS…a little joke!

NOTA AOS LEITORES MENOS AVISADOS: é necessário conhecer-se os textos e a mundividência pessoana, para que se entenda este texto. Por isso, comece por ler, por favor, a “Carta da Génese dos Heterónimos”!

EMAIL SOBRE A GÉNESE DOS ANTÓNIOS

A Rodolfo Cascais Moiteiro, meu seguidor no facebook

c.c : António Caeiro; António Reis; António de Campos e António Soares.

Lisboa, 13 de Janeiro de 2005

Prezado camarada Rodolfo:

Agradecemos o teu mais recente email e, sobretudo, a sinceridade do teu desabafo para connosco, digo comigo, quanto ao estado daquela “Tabacaria”, na Baixa, junto à “Brasileira”, onde existe uma estatueta de mim próprio, feita no dia do meu “Aniversário”.
Começamos por te pedir desculpas por não te enviarmos o habitual fax, mas hoje é domingo, os correios estão fechados, o nosso pombo-correio tem uma pata magoada, está com medo de voar por influência directa da tanatofobia do António Reis, e, por fim, não pretendemos pensar mais sobre este assunto, porque de dores de cabeça já nos basta a de hoje, que tentamos aguentar estoicamente.
Passamos, digo, passo agora a responder à tua imaginária pergunta sobre a génese dos Antónios, facto que me provocou uma “Velha Angústia”, já que é difícil explicar uma coisa destas a qualquer Pessoa, quanto mais a um professor de Literatura do teu gabarito. A verdade é esta: pontualmente fico possuído por outrem, ou seja, julgo que sou múltiplo! Nestas ocasiões encarno a personalidade, a expressão facial e a forma como escrevem três Antónios que eu muito admiro e de quem te falarei detalhadamente, mais adiante.
“Ó céu!” já pedi “Conselho” a um médico (esse mesmo!). Minto, já tive uma conversa com o farmacêutico do meu bairro, Sebastião de seu nome, que me diagnosticou abulia e histeria…em simultâneo. O problema é que estas transfigurações ocorrem sobretudo no restaurante da esquina, quando vou buscar a minha “Dobrada à moda do Porto” (geralmente fria), ou na drogaria do André, exactamente às 16h20m e 30segundos. E quando ocorrem esses transtornos, começo a gesticular, a estrugir, a ferrear, a ciciar e a falar como o António Caeiro, o António de Campos, ou o António Reis. E as pessoas interrogam-se, ficam estupefactas, desassossegadas. E eu (depois) nem me mexo, pareço um novelo voltado para o lado de dentro e quando me perguntam se me estou a sentir bem, penso: “Abdica, sê rei de ti próprio, deixa de ser plural!”
“-Mas, afinal, quem são estes Antónios!” – perguntas tu, ou suponho que perguntas. E eu pergunto:”-Afinal quantos sou?”
Começo por te dizer que, desde miúdo, em Lisboa e em Durban, que gosto de falar com pessoas imaginárias, com as quais nunca dialoguei efectivamente. É verdade que nunca gravei nenhuma destas conversas, o que é pena para todos nós, mas posso-te afiançar que, em determinada ocasião, falei pessoalmente com a Rainha de Inglaterra, no Palácio de Buckingham, à hora do chá, diante de um prato de scones acabados de fazer. Uma simples conversa bilingue sobre estas minhas imaginações, que ela comentou com muita graça. Numa outra ocasião, entrevistei o pacifista Gandhi, sobre o livro de Tolstoi, Guerra e Paz. Por fim, uma ceifeira alentejana, despreocupada, boa cantadeira, que me disse ser “invejoso”, porque eu lhe tinha dito desesperadamente que pretenderia ter um trabalho daqueles, ao ar livre, sem ter de passar o tempo a ler livros. E, como sabes, ler não é nada, chega é a ser uma maçada!
O primeiro dos Antónios era, inicialmente, só António e nunca leu esta “Mensagem”, (que tive de escrever para ganhar cinco contos de reis). Foi aos seis anos (que saudades!) que isto aconteceu e como não encontrava um segundo nome para esse ser imaginário, ficou “Pá!”. António Pá! Era uma forma fácil de chamar o outro que era eu próprio e era muito musical. Lembro-me vagamente, que noutra ocasião, assumi o papel de um televisivo médico, de barba rala, que coxeava e encarava o acto médico em si, como se um mistério policial se tratasse.
Passados anos, encarnei a figura de António César, quando da sua campanha na Gália, vitorioso de Vercingetórix, para assumir de imediato o papel de Napoleão, às portas de Moscovo, montado num alazão branco, que foi subitamente destituído por António Churchill, durante a Conferência de Ialta, de charuto na boca. Enfim, uma vertigem! Eh-lá-hô!
Digo-te, Cascais, tenho saudades desses tempos!
Como já percebeste, sou múltiplo e também como já percebeste, quando começo a teclar, não paro!
Vou entrar, então, na génese dos Antónios literários, que é o que pretendes saber ocultamente. Foi em 2002, salvo erro, que comecei a escrever poemas pseudo-escritos por António Caeiro, que na realidade é um vizinho meu, do 3º esquerdo, pastor na Malveira e que tem uma característica incomum. Gosta de olhar fixamente as pessoas e depois entra em transe. É verdade que o seu olhar não tem propósitos intimidatórios, pois ele acaba por ser um homem tranquilo.
Foi num dia de Março que eu, recorrendo ao meu Magalhães, escrevi de pé (até começar a sentir um formigueiro nos dois pés) cerca de trinta poemas de sua autoria e todos em redondilha menor e com a costumeira volta ou glosa. Numa luta comigo próprio, deixei de lado a postura, a voz, a escrita deste António e passei a ser eu próprio. Apertava o meu próprio pescoço, numa luta desigual, e cheguei à conclusão que, afinal, o António Caeiro não existia. Mas aí vinha o António de Campos e eu não o sabia! Escrevi então, de rajada, o poema “Chuva Molhada”. Trata-se de um poema interseccionista (e tu bem sabes o que isso significa), onde existem vários planos: chuva/sol; Porto/Benfica; interior/exterior; doce/amargo;
Mas se esse António Caeiro era o chefe dos Antónios, tratei logo de lhe descobrir discípulos e, então, apareceu o António Reis, através de uma visão quimérica que muito me surpreendeu, porque depois a absorvi. Por essa altura, estava eléctrico, neurasténico, e comecei a falar, a agir e a escrever como o António de Campos, surgindo o manifesto futuristico-bucólico intitulado “Bode Triunfal”. E o pior é que eu assumia, por momentos, ora o falar de um, ora de outro e acabámos os três a discutir uns com os outros. Fantástico, não é?!
Quando da publicação da revista “EU?”, surgiu um poema de António de Campos, antes de ter caído sob a influência campesina de António Caeiro, sobretudo do seu gosto desmedido por galináceos. Esse poema é o célebre “Aviário”!
Passo agora à identificação dos três Antónios, porque presumo que queiras saber tudo sobre os evasivos de mim próprio.
António Reis nasceu em 1988, é portuense (sócio nº 1305 do FCP), louco por tripas, tem uma acentuado sotaque da zona do Porto, trocando habitualmente os /v/ pelos /b/, terminando os ditongos nasais em /on/ e chamando “cimbalino” ao habitual café. Entretanto foi para o Brasil, onde abriu um abriu consultório médico conjuntamente com uma médica brasileira, Lídia de seu nome, habitualmente sentada numa secretária contígua à sua.
António Caeiro nasceu em 1980 e em Lisboa, na freguesia dos Olivais, mas viveu toda a sua vida no Campo de Santana. Era pastor, frequentou um curso profissional e Mestre, não o sendo.
António de Campos nasceu próximo de Tavira, em Monte Gordo, no dia 15 de Outubro de 1991 (às 13.31h da tarde). Campos é Engenheiro Mecânico (pelo ISEL), mas agora é pró-activo.
Reis é o mais baixo (1,50m), depois vem Caeiro (1,51m) e só finalmente o altíssimo Campos (1,52m).
Caeiro é louro, de olhos azuis, queimado de solário; Reis moreno, com uma pequena calva; Campos tem cor trigueira, usa óculos de aro escuro e masca pastilha elástica. Reis é monárquico, latinista e semi-helenista; tem simpatia pela Grécia, embora reconheça a gravidade do “problema grego”.
Por que razão escrevo em nome dos três? Simplesmente porque mo pediram e quem sou eu para me contrariar a mim próprio?! Além destes três, não me posso esquecer de António Soares, meu semi-heterónimo, porque é como se tratasse um irmão gémeo, com a simples diferença de que não é apreciador de pastéis de nata, pelos quais eu sou perdido! Qual destes quatro é que escreve melhor o Português? É evidente que é Reis, o latinista. Caeiro escreve muito sobre a realidade do campo, integrando na sua poesia, palavras como “cabeço”; “monda”; “palheiro” ou “galinhas”. Campos gosta de falar de “motores”; “parafusos”; chaves de fenda” ou “alicates”.
Mas que manicómio é este, pensarás tu, ó caríssimo Cascais? Nenhum, direi eu. Vale mais falarmos de factos surpreendentes, como os que te falei, ou falarmos de banalidades como o estado do tempo, que por acaso hoje nem está grande coisa, já que nuvens carregadas e cinzentas é o que há mais no plúmbeo céu por cima da rua do Arsenal e dos Douradores e de toda esta Lisboa. Enquanto te escrevo, aproveito para escrever à minha Ofélia, apesar de considerar Shakespeare, como um “dramaturgo atabalhoado”, não menosprezo a felicidade do nome e, ao meu lado, neste momento está…António Baldaia. Cumprimentos, prezado camarada…

FERNANDO ANTÓNIO NOGUEIRA PESSOA