«A vida não é feita para construir, mas para semear. Na ampla dança de roda, desde o início até ao fim, passa-se e espalha-se a semente. Talvez nunca a vejamos nascer porque, quando despontar, já não existiremos. Não tem qualquer importância. O que importa é deixarmos atrás de nós qualquer coisa capaz de germinar e de crescer»,in Tamaro, Susanna, «A Alma do Mundo», Editorial Presença, 1998, p. 196.
Sintra
Sintra - Portugal vale a pena!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Composição - Eneida
“ [um varão, Eneias] a sofrer tantas provações e a enfrentar tantas dificuldades, [mas que veio] para as praias de Lavínio” (Virgílio: 2003, 14)
Bom trabalho!
História do jornalismo

30 QUESTÕES SOBRE A HISTÓRIA DO JORNALISMO
7º ANO
Pesquisa sobre este assunto. Depois responde às seguintes questões:
1. Como terá surgido o jornalismo?
2. Informa-te junto do teu professor de História sobre como eram feitas as trocas de comunicação entre os gregos e os romanos.
3. Como eram divulgadas as notícias durante a Idade Média?
4. Em que século foi inventada a tipografia?
5. Que importância teve a invenção de Gutenberg, nesta questão?
6. Como evoluiu a tipografia durante o Renascimento?
7. Em que século surgiram os primeiros jornais?
8. E em Portugal?
9. Qual a importância dos jornais e dos jornalistas durante a Revolução Francesa?
10. O século XIX foi o século dos jornais diários?
11. Das agências de notícias?
12. Do telégrafo?
13. Quais as vantagens da invenção do telefone e do telégrafo?
14. Onde surgiu a ideia da estrutura da notícia em “lead” e “corpo da notícia”?
15. Afinal o que é o “lead” e o que significa a palavra em si?
16. Qual a importância do jornalismo no contexto da 1ª Guerra Mundial?
17. Conheces jornais americanos?
18. E durante a Revolução Russa?
19. Conheces jornais russos?
20. Refere o papel da imprensa durante a 2ª Grande Guerra. O que mudou em relação à 1ª Grande Guerra?
21. A descoberta da rádio foi importante?
22. Qual o papel da imprensa durante o estado Novo, em Portugal?
23. Refere jornais portugueses dessa época.
24. E a Internet? Veio alterar todo o panorama informativo?
25. E o twitter?
26. E o facebook?
27. Estarão os jornais impressos em perigo?
28. Quais deverão ser as apetências fundamentais para quem quer ser jornalista?
29. Como se modificou o panorama informativo em Portugal, nos últimos 35 anos?
30. Como projectas o futuro da imprensa, no mundo?
terça-feira, 4 de outubro de 2011
UM OUTRO FINAL PARA A ENEIDA

- Como é cara? É hoje que você vai nos vencer? – Este foi o implícito desafio lançado por Eneias a Turno. Da sua boca, repentinamente, surgiram outras questões. A expressão do centro-avante do Fluminense denunciava a fúria própria de quem vem cimentando o ódio há largo tempo – Você vai hesitar hoje, bicho? Quero ver você marcar mais golos do que eu! Vamo´bora, vamo lá lutar, cara!
Nesse dia solarengo o Maracanã estava a abarrotar. A torcida dos dois “times” agitava-se, mas enquanto se perfilavam as duas equipas antes do início do jogo, Eneias recordava um passado não muito distante.
Carioca de origem, cedo tinha emigrado para a Grécia, para o célebre Beksitas. Um olheiro turco tinha pressentido que estaria ali um jogador de enorme futuro. Com ele foram outros brasileiros: Anquises, zagueiro experiente em final de carreira; Acates, um lateral-esquerdo de grande compleição física e Ascânio, um outro centro-avante, sub-17.
O contingente brasileiro fez prosperar o clube turco, que se tornou poderosíssimo, fazendo um brilharete na complicada Liga dos Campeões.
Eneias revelava-se progressivamente como grande jogador e as suas economias, enviadas para o Brasil, permitiram à família a aquisição de uma casa de férias, na terra de origem do seu pai. Foi ao largo de Setúbal, em Portugal, num istmo paradisíaco, Tróia de seu nome, que a família deste herói comprou (a pronto) um grandioso T3, onde todos passavam férias e se deliciavam com o peixe assado da terra do célebre Mourinho.
Mas como o bem nem sempre dura, o clube turco foi comprado por um grupo de investidores gregos pertencentes à firma Agamémnon&Menelau, lda.
Estes negociantes gregos trouxeram com eles…alguns jogadores gregos: Aquiles, Calcas e Ajax. A Eneias só lhe restava o regresso ao Brasil e ao seu amado Fluminense. E, foi por essa altura, que conheceu Lavínia, filha de um industrial brasileiro. Lavínia vivia em Copacabana e era tal a sua beleza que era conhecida como a “menina do Rio”.
Eneias, “Né” para os amigos, ficou embasbacado assim que a viu, numa esplanada no Leblon, mas percebeu que, a seu lado, estava sentado alguém que ele bem conhecia dos relvados brasileiros, o temível Turno.
Havia pouco tempo que Turno regressara de Itália. Jogara no Inter, mas as saudades do seu país falaram mais alto que os euros e as pastas que tanto apreciava. Regressou para jogar no Flamengo e, aí, voltou a revelar uma tremenda acutilância e codícia pelo golo.
- Lavínia, meu bem, vamos na lanchonete? - Perguntou com convicção.
- Mas, você não tem de seguir uma alimentação cuidada e racional? Pergunto: você pode comer sorvete? – Inquiriu ela, desconfiada.
- Concerteza!
Antes do clássico Fla-Flu, Lavínia prometera que iria ao cinema, para ver a multicolorida animação “Rio”, com aquele que marcasse o melhor golo. Eneias e Turno iriam lutar por isso.
- As suas palavras férvidas não me assustam, feroz jogador! Apenas receio o Destino! – Foi com estas palavras ressentidas, meneando três vezes a cabeça, que Turno resolveu aceitar o desafio de Eneias.
E o jogo começou. Decorreu com tal intensidade, que a “torcida”, sorvendo goles de Guaraná, exultava de emoção.
Próximo do final o embate não se decidia a favor de ninguém e o resultado nulo mantinha-se teimosamente. Até que, por um acaso do destino, Turno ficou isolado. A sua corrida era vertiginosa, mas, a determinada altura, a bola pareceu-lhe pesar uma tonelada. Por isso, foi perdendo a noção de si e a corrida terminou numa simples marcha. A acção dos deuses era tremenda: os joelhos de Turno fraquejavam e um calafrio gelou-lhe o sangue. Olhou para as bancadas, mas nada viu, nem a sua própria irmã.
Perante a hesitação de Turno, Eneias roubou-lhe o esférico e, com grande energia, fez um contra-ataque mortífero. Por essa altura, penetrou na zaga do Fla e, frente a Anteu, o goleiro, rematou. A bola, atingindo o próprio Anteu, acabou por entrar na baliza.
Foi o delírio nas bancadas e a “torcida” do Flu clamou por Eneias e este não perdoou. Nas bancadas, Lavínia parecia estar convencida sobre o mais valoroso guerreiro. Eneias bradou, então, para Turno:
- Você não vai escapar, cara! No jogo anterior, você marcou um miserável golo a Palante, o nosso goleiro. Agora vai haver sangue!
Após ter proferido estas palavras, fez um tremendo (ou massive, como dizem os ingleses) remate de trivela, marcando um golo memorável, que fez entrar em delírio todo o Maracanã.
Nessa noite, Eneias e Lavínia, felizes, viram “Rio” e trocaram juras de amor.
domingo, 2 de outubro de 2011
Hoje lanço o desafio de falar sobre os clássicos para jovens alunos do 3º ciclo...

De vez em quando há que voltar a reler os clássicos, para nos deixarmos envolver pela genialidade dos mesmos e ir absorvendo sempre novas interpretações e diferentes perspectivas sobre as obras, já tantas vezes lidas.
Hoje escrevo sobre o grande poeta da Literatura Inglesa, nem mais nem menos do que…WILLIAM SHAKESPEARE.
Já não sei quantas obras li e reli deste dramaturgo dos séculos XVI / XVII, mas não me canso de o fazer. Como afirmei anteriormente, há sempre algo novo a aprender com uma nova leitura.
William Shakespeare, para os mais distraídos, e caso não saibam, foi um poeta e dramaturgo Inglês e entre as suas obras mais conhecidas, temos os Sonnets (um conjunto de 154 sonetos) e peças de teatro como Romeu e Julieta, Rei Lear, MacBeth, ou Hamlet. Desta última deveremos recordar a famosa frase: “To be or not to be, that’s the question”, ou na língua de Camões: “Ser ou não ser, eis a questão”.
Como muitos poetas, a genialidade de William Shakespeare, não foi reconhecida no seu tempo, mas só mais tarde, no século XIX foi devidamente aclamado e em pleno século XXI as suas obras são constantemente lidas, encenadas ou estudadas. Obras intemporais, como só os grandes poetas sabem fazer!
A obra que seleccionei, foi nem mais nem menos que Hamlet. Que sumariamente se explica como sendo uma tragédia em que o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, o rei, que fora envenenado pelo próprio irmão, Cláudio, que após a morte do rei assumiu o trono e casou com a Rainha Gertrudes, a mãe de Hamlet.
Parece-te complicado?!
Nesta peça vamos encontrar os devaneios, a loucura de Hamlet, perturbado pela dura realidade, contada pelo fantasma do seu pai. A coexistência do Mal e do Bem, na natureza humana, é uma das grandes preocupações do autor e a temática central da peça.
Gostaria que partilhassem connosco a vossa opinião sobre as peças de Shakespeare, Hamlet ou outra da vossa eleição, e a ser outra a peça seleccionada, justifiquem o porquê dessa selecção.
sábado, 17 de setembro de 2011
UM OUTRO "AUTO-RETRATO” DE BOCAGE

Gordo, olhos verdes, pele branca
Trinta e dois de pé, grande na altura.
Sempre a sorrir, luminosa figura,
Nariz insignificante no meio da carranca.
Sempre sorridente, sempre sereno,
Menos propenso à ira, do que à brandura.
Bebe cerveja, lamenta a gordura,
Exemplo pacato de bondade e candura.
Encontra na escrita as suas verdades,
Nunca se lhe escuta queixa, ou lamento.
E assegura: “ - Do ócio não tenho saudades!”
Eis Bocage em quem luz enormíssimo talento!
Saíram dele vários auto-retratos, inúmeras possibilidades,
Num dia em que só um resistiu à força do vento.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
UM OUTRO FINAL PARA "A FARSA DE INÊS PEREIRA"

Pêro - Chega! Uma cousa é a personagem que represento,
outra é o eu verdadeiro.
Que raio, afinal também tenho sentimentos e isto é um ultraje!
Recuso levá-la para junto do Ermitão.
Lá porque o seu primeiro casamento correu mal (rilha entretanto uma pêra) …
Inês - Marido cuco me levades
E mais duas lousas.
Pêro - ASSI NÃO SE FAZEM AS COUSAS!
ASSI NÃO SE FAZEM AS COUSAS!
NÃO FAZEM, NÃO!
Inês - Mas (surpreendida)…no guião diz-se que eu vou às suas costas.
Pêro - Recuso-me. Até porque tenho espondilose!
Inês - (cantarolando) Carregado ides, nosso amo,
com duas lousas.
Pêro - Escusa de insistir, Inês. Não vou. Fico!
Não sou parvo!
Inês - Mas era a sua deixa..
Agora teria de dizer “Pois assi se fazem as cousas.”
Pêro - Isso era antes, Inês. Agora acabou.
Ouça verdadeiramente a sua mãe.
Está a ver aqueles dois (apontando para Latão e Vidal)?
Peça-lhes que a levem às costas. Eu vou-me!
Inês - Mas, Pêro (suplicando, desesperada). Ouça, ouça…e as lousas?
O que faço com as lousas?
Pêro - (voltando-lhe as costas) Dê-as ao Ermitão…depois de ter subido esse enorme morro!
E assi se vão, e se acaba o dito Auto.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Évora – Aemerita Augusta (Mérida)

Um percurso de visita pelo Alentejo é também uma viagem às memórias de um país. São várias as fortificações existentes ao longo deste trajecto e estas são testemunhas privilegiadas de fortaleza, de protecção, de instabilidade, de crença numa pátria, de medo e horror. Avistam-se da A6 e surgem paulatina e surpreendentemente aos olhos do viajante, como se este visionasse um qualquer filme histórico.
O tempo ameno e os tons macilentos da tórrida planície são inesquecíveis. A primeira paragem obrigatória é Évora (Património Cultural da Humanidade), local onde reluz um legado cultural dos mais ricos do país, fruto da presença regular da monarquia portuguesa. Cidade onde o frescor e o cálido coexistem.
Évora do recinto megalítico de Almendres, Évora das ruas medievais, da Praça do Giraldo, da Catedral, do Castelo Velho, da Universidade, do aqueduto da Água de Prata,da igreja da Graça, da praça de Sertório, do templo de Diana, das casas caiadas de branco e das sombras contrastantes dos interiores do casario. Évora é isto, mas é também o seu povo, carismático, integrado no cenário da cidade.
Esta viagem, que marca para sempre a nossa memória individual, é também um roteiro pela gastronomia - sobretudo pela experiência inesquecível que é degustar uma sopa de cação. Sabores únicos que se diluem na planície!
Em Estremoz outros monumentos que nos embevecem: O castelo, a igreja matriz de Santa Maria, a capela da Rainha Santa, o Pelourinho, a igreja de Santiago, o Museu de Arte Sacra, etc. Em Vila Viçosa o paço Ducal, a capela real, o Museu de Arte Sacra.
Porque nós somos esses monumentos!
Terra de Florbela Espanca, sempre omnipresente. E a fortaleza da sua poesia, gerada por uma personalidade sensível, incorpora a solidez daqueles mármores alvinegros.
Elvas, terra de justas e de encontros da realeza Ibérica, loca de transição para a Estremadura.
Daí até aos prémios de Augusto. Mérida, nasceu das ofertas de terras aos legionários reformados, que obtiveram a sua recompensa após o seu (longo) dever militar.
O Teatro Romano é impressionante, é como se regressássemos ao passado através de uma máquina do tempo que ainda não foi inventada. À frente do palco o coro, antes três saídas, o cenário e…seis mil lugares. Uma acústica soberba, fruto do engenho humano. Mesmo ao lado, o Anfiteatro, onde ainda se pressente os gritos dos gladiadores e o ardor das corridas de quadrigas. As pontes e o templo de Diana. As pontes e o Arco de Trajano.As pontes!
Como nos relacionamos com esta antiga cidade? Só desta forma: Mérida foi a capital da Lusitânia!