Sintra

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Sintra - Portugal vale a pena!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

JOGOS DE PORTUGUÊS

Entre vários livros onde existe uma abordagem lúdica da Língua, gostaríamos, desde já, de destacar um, “Entretenimentos de Português”, da autoria do Padre Linhares (cf. Linhares,1986:63). Mais tarde falaremos de outros, que muito nos dizem.
Nas páginas 62/63, desta compilação de textos, escritos em forma de diário, existe um interessante jogo sobre vozes de animais. Sendo assim, e para as dez primeiras vozes deixamos os respectivos verbos unipessoais. Em relação aos restantes fica o desafio para os leitores:

1 - Abutre (crocitar); avestruz (rugir); baleia (urrar); doninha (chiar); escaravelho (zunir); faisão (assobiar); flamingo (roncar); lagarto (farfalhar); pato-bravo (palrar); urso (fremir).

2 – Cobra (…); coelho (…); crocodilo (…); coruja (…); javali (...); águia (…); bezerro (…); gralha (…); gato (…); sapo (…).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

HOLMES E A F.S

Após ter estado com Mr. Predicado Verbal, Holmes voltou a olhar de soslaio as notícias do dia e soltou um "Ah!" prolongado, enquanto se recostava no sofá de veludo azul.
- Não terá sido este rapto obra daquela misteriosa organização, a F.S? – inquiriu o meu amigo. Na verdade não perguntava, pensava, isso sim, em voz alta.
- Não, Holmes, essa organização que refere, a “Função Sintáctica” tem estado bastante serena. O seu chefe, o misterioso Vocativo (também conhecido por Ó) tem estado, sereno, nas praias de Southsea. O cérebro do grupo, o Sujeito Simples, tem estado omisso (ou subentendido) em New Forest. E depois aquele tipo terrível, o Predicado Nominal, de Liverpool, sempre acompanhado pelo Verbo Copulativo, tem estado entretido com os filhos: Ser, Estar, Ficar, Permanecer. Aquela prole não lhe dá um minuto de descanso, caro amigo!
Holmes ficou de repente absorto, quase catatónico. Levantou-se e, num ápice, gritou:
- Vamos a Croydon! Aí encontraremos, de certeza, um amigo que conheci na Boémia, Hans. O seu nome de código, entre agentes secretos, é Complemento Determinativo, ou Nome+de+Nome. É homem para nos dar as informações que pretendemos.
-Estranho nome –retorqui. Enquanto descia as escadas as imagens da minha estadia na Índia iam passando de relance no meu pensamento. O modo, o lugar, o tempo, a causa, o lugar foram circunstâncias que me levaram à terra de Mogli.Aí combati, aí exerci medicina. Aí era conhecido pelo aposto que me consagraram: Watson, o médico inglês, cura os seus doentes!
- Watson, cuidado com as escadas. Acorde, homem!
CONTINUA…

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

UMA ENIGMÁTICA AVENTURA DE SHERLOCK HOLMES

No Verão de 1889, dirigi-me a Baker Street. Antes de entrar, por volta das 20.00h, reparei na silhueta de Holmes que contratava com a luz dos seus aposentos. O célebre detective movia-se energicamente e, ao entrar na sala do seu apartamento, percebi que nem a minha entrada lhe retirara a concentração na tarefa que iniciara, nem a vontade de fumar com avidez o cachimbo que usava há anos. Remexia em livros e maços de papéis e murmurava, repetidamente, uma palavra que terminava em "iva". Estancou e, reconhecendo-me, cumprimentou o velho companheiro.
- Com tem passado, Watson? Vejo que a sua esposa tem estado fora, possivelmente na Cornualha e que o meu amigo tem almoçado à pressa.
- Mas, como é que adivinhou, Holmes?
- Ora, meu amigo, é visível para qualquer curioso que o vinco das suas calças está torto. Se reparar, no lado direito do seu casaco, encontra uma pequena nódoa amarela. Damn, Watson, você foi sempre tão calmo e ponderado!
- O seu poder de dedução é notável, Holmes! – Respondi.
- Mais ainda, tem uma batata frita no bolso direito do seu casaco.
- Bom, bom, Holmes – retorqui – isto começa a ser embaraçoso! Diga-me. Reparei, ao entrar, que estava nervoso, folheava livros, papéis…
- Sim – respondeu - recebi uma estranha carta. Queira ler em voz alta, por obséquio. A mensagem era esclarecedora.

“Caro, Sherlock Holmes

Como representante da imobiliária “Sintaxe”, queria consultá-lo acerca de um estranho desaparecimento, o da nossa melhor vendedora. O seu nome? Oração Coordenada Conclusiva! Sei que tem resolvido casos complicados em todo o mundo. Derrotou Moriarty! Por isso lhe peço que me receba hoje, 23 de Agosto de 1889, por volta das 20.30h”

Exactamente nesse momento ouviu-se um trote de cavalos e uma carruagem a parar. De lá saiu um cavalheiro, que subiu com energia ao primeiro andar, do nº 59, onde nos encontrávamos.
Holmes abriu a porta e logo se nos deparou um homem alto, que trazia na mão um chapéu alto de aba longa e um monóculo a condizer. Holmes indicou-lhe uma chaise longue.
- Tenha a bondade de se sentar. Com quem tenho a honra de falar?
- Predicado verbal. Mas pode só chamar-me de Mr. Predicado.
- Então o que tem para nos contar senhor Predicado…Verbal? – Inquiriu o meu amigo.
- Gostaria, em primeiro lugar, que mantivessem sigilo sobre o que vos vou contar. Pois, então, comecemos!
A nossa melhor empregada, Miss Oração Coordenada Conclusiva, desapareceu, misteriosamente, num castelo da Boémia, quando procurava vender o nosso melhor Kit: “Sujeito-Predicado-C.D-C.Ind-C.Circunstancial”.
Esta nossa empregada era uma mulher independente, geralmente acompanhava com uma amiga de infância, também ela Oração Coordenada e de uma outra familiar, de quem dependia inteiramente, a Conjunção “Portanto”. Esta última dotada de grande instabilidade psicológica, porque tanto pode ser”portanto”, como “logo” ou “por consequência”.
Ora, do nosso conjunto de vendedoras: a Oração Coordenada Copulativa, a Coordenada Adversativa e a Explicativa, nenhuma nos parece ter sido autora efectiva desse rapto inexplicável.
No entanto, desconfiamos de uma vendedora de uma outra firma rival: a Oração Subordinada Relativa sempre acompanhada do misterioso amigo, o Pronome Relativo…
SERÁ QUE HOLMES IRÁ RESOLVER ESTE TERRÍVEL MISTÉRIO?
CONTINUA!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

NEM UM SÓ DIA SEM ESCREVER UMA LINHA!

Nulla dies sine linea

É certo e sabido que a prática da escrita deve ser diária, permanente. Só assim se consegue textos estética e estruturalmente irrepreensíveis. Apeles, pintor grego na Jónia do século IV, considerava que o sucesso do seu trabalho provinha da ideia, própria, que o levava a não esquecer os seus deveres diários como pintor. Plínio revelou ao mundo o trabalho de Apeles, no seu livro História Natural, 35, 36. Todos os dias, o excelso pintor traçava linhas que delimitavam soberbas pinturas como a de Artemisa ou a de Herácles. Esta ideia, a da prática diária, é também frequente entre escritores e é conhecido que alguns (até) se levantam de madrugada para escrever, qual morcegos noctívagos.
Contudo, para além da maxima latina deixada em subtítulo, gostaríamos de vos referir uma outra: "Quis scribit bis legit", quem escreve lê duas vezes. Uma leitura sem posterior reflexão escrita, acaba por ser inócua.
Por toda esta...arte, nada de menosprezarmos os poetas! Nas suas Sátiras, I, 9, Juvenal, poeta romano, deixou, para a posteridade, uma outra frase célebre: "facit indignatio versum"...a indigação faz o verso. A indignação pode ser geradora da poesia!

domingo, 3 de outubro de 2010

1 - A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

(destinatários: alunos do 9º ano)


Palavras-chave e expressões para reflexão:
3000 a 6000 línguas que são faladas no mundo/ 283 línguas têm menos de mil falantes/ língua – conceito político, económico e cultural/ Mirandês: exemplo de uma língua minoritária em Portugal/ Línguas mais faladas no mundo – 1º Mandarim, 2º Hindi, 3º Inglês, 4º Espanhol, 5º Árabe, 6º Português/ Inglês como língua de comunicação/ línguas oficiais, francas e maternas/Português, língua nacional; Português com língua oficial: Angola, Moçambique, cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e Macau/crioulos de origem portuguesa/variedades: variante Portuguesa do Brasil (características: vogais átonas pouco reduzidas – ex. partir; palatização de /t/ e /d/ - ex: tio, semivocalização de /l/ em final de sílaba - ex: animal; introdução de /i/ epentético – ex: capitura; utilização das formas casuais dos pronomes pessoais – ex: eu vi ele na rua; construção aspectual – ex: estava brincando; utilização de preposições – ex: foi na cidade; emprego dos verbos ter e haver – ex: tem fogo naquela casa; utilização de “você”; vocábulos de origem tupi: guri, capim, pipoca e de origem africana – moleque, miúdo, etc.

2- REGISTOS DE LÍNGUA

Palavras-chave e expressões para reflexão:
Registo corrente - norma - palavras e expressões simples – registo cuidado – pouco utilizado na oralidade, excepto em ocasiões solenes (ou em aulas de Língua Portuguesa!) vocabulário rebuscado – construção gramatical complexa - registo familiar – vocabulário simples, pouco variado – usado em família – registo popular – gira – calão – linguagem técnico-científica

Bibliografia:

GUERRA, João Augusto, Português, Ensino Recorrente, Porto Editora, Porto, 1998, p. 105
MATEUS, Maria Helena Mira, Colóquio ”Portugal e as Línguas estrangeiras no século XXI”, Universidade de Lisboa, 3 de Novembro de 2008
PINTO, José Castro et alii, Gramática do Português Moderno, 3ª edição, Plátano Editora, Lisboa, 1995

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar, de Luís Sepúlveda

1 – O RESUMO

O autor chileno apresenta-nos a história de um gato grande e gordo e de uma gaivota, Kengah, que é apanhada por uma maré negra de petróleo e que, às portas da morte, após pôr um ovo, obriga o seu novo amigo, Zorbas, a prometer-lhe que não o comerá, que criará a sua cria e a ensinará a voar.

Para esta tarefa, Zorbas, o gato, vai necessitar da ajuda dos seus amigos, outros gatos habituados à vida dura do porto de Hamburgo (é de lembrar que Sepúlveda esteve refugiado na Alemanha, ele que foi sempre um activista político), Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello. Zorbas vai cumprir a sua promessa até ao fim, pois o seu código de honra – o dos gatos do porto - assim o exige. A tarefa é árdua, mas Zorbas não desiste. Ele vai chocar o ovo até a pequena gaivota nascer, alimenta-a, procurando insectos e protege-a de uma ratazana que a quer comer. Chamou-a Ditosa e restava, agora, a última e mais difícil tarefa, ensiná-la a voar.

Zorbas precisa da ajuda de um humano, decide então falar com um humano e o escolhido é “O Poeta” (Sepúlveda começou por ser um poeta e mais tarde tornou-se prosador. No entanto, neste livro a poesia está omnipresente). Após o susto inicial, por ver que Zorbas conseguia falar com ele, ou como o gato dizia "miar na língua dos humanos", o humano ajuda o gato e ambos conseguem que Ditosa voe.

Luís Sepúlveda apresenta-nos uma fábula onde o Homem é criticado pelo seu papel de destruidor do meio ambiente. De assinalar que o próprio autor foi activista do Greenpeace, pelo que a acção nefasta do homem na natureza é assinalada com veemência (tenha-se em conta a catástrofe inicial, a morte de Kengah).

Contudo, a mensagem principal do autor está resumida na última frase de Zorbas: “Que só voa quem se atreve a fazê-lo”… e os poetas vão sempre mais além.

Uma obra cuja leitura é aconselhável a jovens e adultos (é de relembrar que os leitores/destinatários de Esopo…eram sobretudo adultos), e que nos faz pensar no nosso papel no universo, alertando-nos para os verdadeiros valores, por vezes tão esquecidos: a convivência entre seres distintos (gatos/gaivotas/”poetas”), a preservação da natureza.

MEHR LICHT!

Johann Wolfgang von Goethe, romântico alemão, murmurou um esclarecedor pedido ao morrer. Esse pedido como que ecoou, a partir da cidade de Weimar, para todo o mundo: - MEHR LICHT! Pedia o sábio alemão que abrissem uma janela para entrar mais claridade, aparentemente uma simples alusão própria do quotidiano do escritor. Contudo, a mensagem que está subjacente a este pedido é a seguinte: "Mais instrução, mais saber, mais verdade!".