Siddhartha de Hermann Hesse
Hoje remeto-vos para algo completamente diferente das anteriores obras, excepto num aspecto… a excelência da escrita.
O autor? Tão somente Nobel da literatura em 1946, penso que diz tudo.
Siddhartha, a personagem principal nasce na Índia no século VI a.C., filho de um brâmane e vive toda a infância e juventude longe das misérias do mundo. A certa altura, abdica de toda esta vida luxuosa e parte em peregrinação pelo país, onde toma conhecimento da pobreza e miséria aí existentes. Na sua viagem existencial experimenta de tudo, inicia-se nos jogos de amor, experimenta o jejum absoluto e escolhe o caminho intermédio, libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a paz interior.
O homem que tudo teve, de tudo abdicou, e no final tornou-se barqueiro num rio junto ao sábio Vasudeva e só então conhece a redenção.
Numa época em que se apregoa que o tempo é tão precioso, onde vale mais o que temos, do que aquilo que somos, podemos deixar-nos conduzir, através desta obra, para uma viagem interior.
Siddhartha teve tudo e de tudo desistiu, a riqueza, o amor – o prazer carnal e o amor a um filho, a sabedoria dos samanas, a doutrina de Gotama – Buda. Ainda assim ele percebeu que não chegava, por mais que admirasse a sua doutrina.
Foi como barqueiro, com o ancião e sábio Vasudeva, na simplicidade da sua vida e da riqueza do silêncio do rio, que ele percebeu e encontrou o que tanto procurava… O SER UNO!
Um livro a não perder!
«A vida não é feita para construir, mas para semear. Na ampla dança de roda, desde o início até ao fim, passa-se e espalha-se a semente. Talvez nunca a vejamos nascer porque, quando despontar, já não existiremos. Não tem qualquer importância. O que importa é deixarmos atrás de nós qualquer coisa capaz de germinar e de crescer»,in Tamaro, Susanna, «A Alma do Mundo», Editorial Presença, 1998, p. 196.
Sintra
Sintra - Portugal vale a pena!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O perfil do novo seleccionador (uma perspectiva literária)
O novo seleccionador nacional deverá ter as seguintes características:
- A capacidade de sonhar(com óptimos resultados)como António Gedeão e Homero;
- A capacidade de incutir os valores pátrios, tal como Pessoa e Camões;
- E, ao mesmo tempo, defender a miscigenação de culturas, tal como Mia Couto;
- a anulação do eu, tal como Herberto Helder;
- Uma "pitada de humor", tal como Gil Vicente e Eça;
- Simplicidade de processos, tal como Miguel sousa Tavares;
- Ser um apaixonado (pela selecção), tal como Florbela Espanca;
- Recorrer ao auxílio divino, tal como Vasco da Gama, em "Os Lusíadas";
- Invocar a mãe (nos piores momentos, dizer: "Ai, mãe!), tal como Eugénio de Andrade;
- Celebrar a vida,ter energia, tal como Whalt Whitman;
- Ser um mestre da estratégia (frásica), tal como os autores latinos, nomedamente Cícero;
- Viver (obcecadamente) o futebol, tal como Pessoa o fez em relação à Literatura;
- Fomentar o exercício físico por sugestão de António Gedeão, em "Calçada de Carriche" ("Luísa sobe/sobe a calçada");
de qualquer forma e parafraseando Pessoa: "É a Hora!"
- A capacidade de sonhar(com óptimos resultados)como António Gedeão e Homero;
- A capacidade de incutir os valores pátrios, tal como Pessoa e Camões;
- E, ao mesmo tempo, defender a miscigenação de culturas, tal como Mia Couto;
- a anulação do eu, tal como Herberto Helder;
- Uma "pitada de humor", tal como Gil Vicente e Eça;
- Simplicidade de processos, tal como Miguel sousa Tavares;
- Ser um apaixonado (pela selecção), tal como Florbela Espanca;
- Recorrer ao auxílio divino, tal como Vasco da Gama, em "Os Lusíadas";
- Invocar a mãe (nos piores momentos, dizer: "Ai, mãe!), tal como Eugénio de Andrade;
- Celebrar a vida,ter energia, tal como Whalt Whitman;
- Ser um mestre da estratégia (frásica), tal como os autores latinos, nomedamente Cícero;
- Viver (obcecadamente) o futebol, tal como Pessoa o fez em relação à Literatura;
- Fomentar o exercício físico por sugestão de António Gedeão, em "Calçada de Carriche" ("Luísa sobe/sobe a calçada");
de qualquer forma e parafraseando Pessoa: "É a Hora!"
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Sobre a frase de Carlos Queirós, ao jornal "Expresso"
Carlos Queirós, em entrevista ao jornal "Expresso", afirmou que Amândio de Carvalho "decidiu pôr a sua cara na cabeça do polvo".
Ora, a frase não tem qualquer sentido pejorativo e envolve, apenas, uma questão de semântica. Carlos Queirós informava o público sobre o facto de, finalmente, termos alguém com dotes premonitórios em tudo semelhantes aos do polvo Paul, durante o mundial de 2010. E é inquestionável que estes dotes poderão ser muito úteis à selecção nacional.
Por isso, queriamos aqui restituir a verdade, ou seja..."A César o que é de César"!
Ora, a frase não tem qualquer sentido pejorativo e envolve, apenas, uma questão de semântica. Carlos Queirós informava o público sobre o facto de, finalmente, termos alguém com dotes premonitórios em tudo semelhantes aos do polvo Paul, durante o mundial de 2010. E é inquestionável que estes dotes poderão ser muito úteis à selecção nacional.
Por isso, queriamos aqui restituir a verdade, ou seja..."A César o que é de César"!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Quando dei aulas numa prisão: primeiras impressões
UM HORÁRIO MUITO ESPECIAL…
Relembro o dia em que me dirigi à escola para receber o meu horário. Aquela folha de papel transformou-se subitamente num projéctil disparado contra mim próprio. As primeiras gotas de suor frio invadiram-me a face e eu, na confusão dos sentidos, procurava manter o equilíbrio.
Nos dias seguintes sorvi todas as histórias e notícias, vinculando-me ao assunto e procurando ver alguma luz no que se afigurava como o breu, o tenebroso. A surpresa foi evidente, mas, para não desmerecer a minha hereditariedade, resolvi sobreviver!
No entanto, as noites eram penosas, tinha corpo sem o sentir e era difícil conciliar o corpo. Durante o dia, acontecia o recobro, mas aquela odisseia era para mim bastante agreste e as pernas tremiam-me como um canavial em dia de ventania.
…………………………………………………………………………………………….
Relembro o edifício fronteiro da prisão: muros aguareladamente brancos, portas maciças de metal de um verde carregado. Cá fora alguns reclusos, em sistema de regime aberto, moviam-se maquinalmente. Sobretudo recordo os olhares, de um frio cortante, diferentes, que na maior parte dos casos estavam dissociados da alma ansiosa de paz. A entrada neste inferno de Cumas era feita através de movimentos sincopados, pois havia que abrir muitas portas verdes, maciças. Na memória ainda retenho o chocalhar das chaves, que iam abrindo languidamente aquele extenso labirinto.
As armas! As armas faziam parte deste quadro surrealista, bélico…metálico. Muitas vezes, reparei que elas estavam apontadas a alguém e aprendi a vê-as sem as sentir.
Conheci os meus alunos… irmãos de escrita. A vida foi correndo. Os sentimentos foram-se diluindo, mas uma nuvem de dureza recalcada apoderou-se de mim e jamais me irá largar. Hoje em dia, faço uma comparação entre este filme surrealista e outro que para mim foi marcante…Platoon de Oliver stone e, por analogia, chego à conclusão que a prisão foi o meu Barnes!
Relembro o dia em que me dirigi à escola para receber o meu horário. Aquela folha de papel transformou-se subitamente num projéctil disparado contra mim próprio. As primeiras gotas de suor frio invadiram-me a face e eu, na confusão dos sentidos, procurava manter o equilíbrio.
Nos dias seguintes sorvi todas as histórias e notícias, vinculando-me ao assunto e procurando ver alguma luz no que se afigurava como o breu, o tenebroso. A surpresa foi evidente, mas, para não desmerecer a minha hereditariedade, resolvi sobreviver!
No entanto, as noites eram penosas, tinha corpo sem o sentir e era difícil conciliar o corpo. Durante o dia, acontecia o recobro, mas aquela odisseia era para mim bastante agreste e as pernas tremiam-me como um canavial em dia de ventania.
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Relembro o edifício fronteiro da prisão: muros aguareladamente brancos, portas maciças de metal de um verde carregado. Cá fora alguns reclusos, em sistema de regime aberto, moviam-se maquinalmente. Sobretudo recordo os olhares, de um frio cortante, diferentes, que na maior parte dos casos estavam dissociados da alma ansiosa de paz. A entrada neste inferno de Cumas era feita através de movimentos sincopados, pois havia que abrir muitas portas verdes, maciças. Na memória ainda retenho o chocalhar das chaves, que iam abrindo languidamente aquele extenso labirinto.
As armas! As armas faziam parte deste quadro surrealista, bélico…metálico. Muitas vezes, reparei que elas estavam apontadas a alguém e aprendi a vê-as sem as sentir.
Conheci os meus alunos… irmãos de escrita. A vida foi correndo. Os sentimentos foram-se diluindo, mas uma nuvem de dureza recalcada apoderou-se de mim e jamais me irá largar. Hoje em dia, faço uma comparação entre este filme surrealista e outro que para mim foi marcante…Platoon de Oliver stone e, por analogia, chego à conclusão que a prisão foi o meu Barnes!
Fernão Lopes
HISTÓRIAS QUE SÃO ARQUÉTIPOS
Enquanto passeava pela Fnac, não pude deixar de pensar que as histórias reais de Fernão Lopes são arquétipos narrativos, modelos para escritores de outros séculos. Nas suas narrativas evoluem, segundo a sua focalização, os vilões como o Conde Andeiro, apaixonado pela "rainha má", Leonor Teles, heróis como Nuno Álvares, um líder inteligente como D. João I, verdadeiro animal político, um velho determinado como Álvaro Pais e muitos outros. Assim, influenciado pela matéria do ciclo bretão, e pela sua versão ibérica, Lopes acaba por ser uma referência para a Literatura Portuguesa a posteriori.
Eís um caso em que a realidade ultrapassa, definitivamente, a ficção!
Enquanto passeava pela Fnac, não pude deixar de pensar que as histórias reais de Fernão Lopes são arquétipos narrativos, modelos para escritores de outros séculos. Nas suas narrativas evoluem, segundo a sua focalização, os vilões como o Conde Andeiro, apaixonado pela "rainha má", Leonor Teles, heróis como Nuno Álvares, um líder inteligente como D. João I, verdadeiro animal político, um velho determinado como Álvaro Pais e muitos outros. Assim, influenciado pela matéria do ciclo bretão, e pela sua versão ibérica, Lopes acaba por ser uma referência para a Literatura Portuguesa a posteriori.
Eís um caso em que a realidade ultrapassa, definitivamente, a ficção!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
“Cada homem é uma raça” – Mia Couto, por Sandra Marques
Inesquecível…. Livro para ler e ser relido.
Como já partilhei convosco anteriormente, o meu gosto pela leitura é algo intrínseco, tal como um qualquer aspecto físico, faz parte de mim e como sabem sou uma leitora que lê avidamente. Por isso, posso-vos dizer que a leitura deste livro demorou apenas algumas horas.
E o mérito deste facto é todo do autor.
Continuando a minha leitura de vários autores, não poderia deixar de parte Mia Couto, autor moçambicano sobejamente conhecido e detentor de vários prémios literários.
Neste livro, Mia Couto apresenta 11 contos. Estórias cujas descrições minimalistas e extremamente claras, captam de imediato a atenção do leitor. Nelas encontramos uma miscigenação da língua portuguesa com palavras e dialectos africanos.
Nestes contos, o leitor sente profundamente a vivência do povo moçambicano, as suas vivências, os sentimentos, a dor, a miséria, vendo-se transportado para os espaços descritos e sentindo-se envolvido pela teia de uma linguagem magistralmente construída, inequivocamente pessoal.
Por isso, classifico a leitura deste obra de puro deleite.
Não consigo escolher um conto que possa destacar, mas evidencio “O embondeiro que sonhava pássaros" ou “ Sidney Poitier na barberia de Firipe Beruberu” como os meus preferidos, mas assinalo os restantes: "A Rosa Caramela", "O apocalipse privado do Tio Geguê", "Rosalinda, a nenhuma", "A princesa russa", "O pescador cego", "O ex-futuro padre e sua pré-viúva", "Mulher de mim", "A lenda da noiva e do forasteiro", "Os mastros do Paralém".
Sandra Marques
Como já partilhei convosco anteriormente, o meu gosto pela leitura é algo intrínseco, tal como um qualquer aspecto físico, faz parte de mim e como sabem sou uma leitora que lê avidamente. Por isso, posso-vos dizer que a leitura deste livro demorou apenas algumas horas.
E o mérito deste facto é todo do autor.
Continuando a minha leitura de vários autores, não poderia deixar de parte Mia Couto, autor moçambicano sobejamente conhecido e detentor de vários prémios literários.
Neste livro, Mia Couto apresenta 11 contos. Estórias cujas descrições minimalistas e extremamente claras, captam de imediato a atenção do leitor. Nelas encontramos uma miscigenação da língua portuguesa com palavras e dialectos africanos.
Nestes contos, o leitor sente profundamente a vivência do povo moçambicano, as suas vivências, os sentimentos, a dor, a miséria, vendo-se transportado para os espaços descritos e sentindo-se envolvido pela teia de uma linguagem magistralmente construída, inequivocamente pessoal.
Por isso, classifico a leitura deste obra de puro deleite.
Não consigo escolher um conto que possa destacar, mas evidencio “O embondeiro que sonhava pássaros" ou “ Sidney Poitier na barberia de Firipe Beruberu” como os meus preferidos, mas assinalo os restantes: "A Rosa Caramela", "O apocalipse privado do Tio Geguê", "Rosalinda, a nenhuma", "A princesa russa", "O pescador cego", "O ex-futuro padre e sua pré-viúva", "Mulher de mim", "A lenda da noiva e do forasteiro", "Os mastros do Paralém".
Sandra Marques
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
"Como Água para Chocolate" por Sandra Marques
Continuando a partilhar a minha leitura de férias convosco remeto-vos para o livro "Como água para chocolate" de Laura Esquivel. Esta autora mexicana retrata uma história de amor entre Pedro e Tita que se vêm impedidas de casar devido a uma tradição de família, em que sendo ela a filha mais nova, nunca poderia casar e teria de tomar conta de sua mãe até à sua morte. Tita assiste assim ao casamento de Pedro com a sua irmã, Rosaura, sendo, inclusive, forçada a partilhar o lar com eles. Tita apenas partilha esta história de amor com a sua criada índia ( Nacha) que lhe vai soprando aos ouvidos receitas e conselhos na vida e na morte.
Esta narrativa roda em torno da cozinha e de um certo número de elementos culinários. Tita vai construindo a sua relação com Pedro através de receitas típicas e por vezes invulgares. As receitas são apresentando uma para cada mês e transmitem os sentimentos de Tita por Pedro. Ao longo desta obra vamos também conhecendo histórias paralelas como:os amores ilegítimos da autoritária e cruel mãe de Tita (Mamã Elena) e a fuga da irmã Gertrudis com um soldado e alguma peripécias de uma guerra civil.
Nesta obra, Laura Esquivel transmite um grande erotismo na descrição deste relacionamento proibido entre Tita e Pedro, conhecemos as tradições do México pela gastronomia, há uma referência à cultura índia ancestral, mas acima de tudo esta obra é um elogio ao amor.
Esta narrativa roda em torno da cozinha e de um certo número de elementos culinários. Tita vai construindo a sua relação com Pedro através de receitas típicas e por vezes invulgares. As receitas são apresentando uma para cada mês e transmitem os sentimentos de Tita por Pedro. Ao longo desta obra vamos também conhecendo histórias paralelas como:os amores ilegítimos da autoritária e cruel mãe de Tita (Mamã Elena) e a fuga da irmã Gertrudis com um soldado e alguma peripécias de uma guerra civil.
Nesta obra, Laura Esquivel transmite um grande erotismo na descrição deste relacionamento proibido entre Tita e Pedro, conhecemos as tradições do México pela gastronomia, há uma referência à cultura índia ancestral, mas acima de tudo esta obra é um elogio ao amor.
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